As universidades e o empreendedorismo brasileiro
Todos concordam: os atuais polos de startups brasileiros estão intimamente vinculados à proximidade de uma grande e respeitada universidade. No entanto, isso pode ser mais coincidência do que outra coisa qualquer, pois é consenso que as universidades brasileiras, especialmente as públicas, onde está o maior aporte financeiro para pesquisa em tecnologia, não apoiam institucionalmente o empreendedorismo.
“Hoje, a universidade se limita a apoiar a pesquisa e que venha do aluno a iniciativa empreendedora. Estamos trabalhando para mudar esse quadro e implementar disciplinas, atividades e programas que motivem a atitude empreendedora, deixando de apenas responder às demandas de alguns alunos”, afirma Rozangela Pedrosa, diretora do departamento de inovação e tecnologia da Pró Reitoria de Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo a professora, o principal desafio é fomentar a cultura empreendedora na universidade e converter pesquisa em transferência de tecnologia.
Para Roberto Lotufo, diretor executivo da agência de inovação Inova Unicamp, ligada à Universidade Estadual de Campinas, as startups vieram para ficar e a universidade já faz parte desse processo. “A base da startup é rede social e cooperação; isso é a universidade. Junte-se aí que formamos recursos humanos bem qualificados e teremos as startups. É verdade que não temos, ainda, cursos ou metodologias para ensinar empreendedorismo, mas a Unicamp vem ampliando o apoio aos jovens empresários.” Além dos recursos tradicionais, como editais públicos, incubadoras, empresas juniores e bolsas de estudos, a universidade campineira criou o Unicamp Venture, que reúne anualmente as empresas filhas da Unicamp (fundadas por ex-alunos) para motivar quem ainda está nos bancos escolares. “O contato com empresários de sucesso estimula os alunos e a troca de experiências favorece o negócio de todos os envolvidos”, completa Lotufo. Dentro dessa proposta, 48 empresários da região de Campinas (80% deles ex-alunos da Unicamp) se uniram para fundar o Inova Ventures Participações, que investe valores da ordem de R$ 100 mil a R$ 500 mil em startups.
Enquanto as universidades se organizam para atender à nova demanda dos estudantes, o setor realiza inúmeros eventos com a finalidade de troca de experiências e aprendizado. O Startup Farm é um dos principais. O evento itinerante, iniciado em agosto de 2011, em São Paulo, e em novembro, no Rio de Janeiro, busca contribuir para o fim de dois gargalos da área: escassez de locais para formação especializada e dificuldade dos empreendedores em ter acesso ao capital de investimento. “Durante 30 dias, 50 empreendedores compartilham e aprendem com mentores, consultores, empresários e investidores. Na última semana eles apresentam os projetos que foram desenvolvidos para uma banca de investidores, que podem se interessar pela proposta”, explica Felipe Matos, organizador do evento, que acontece anualmente e em 2012 vai percorrer várias capitais brasileiras.
Tallis Gomes, e sua equipe, venceu o Startup Farm carioca com o projeto Easy Taxi, um aplicativo para smartphone, baseado em um sistema GPS, que permite aos usuários chamar o táxi mais próximo, calcular a tarifa e realizar o pagamento da corrida. “O Startup Farm contribuiu diretamente para o amadurecimento do nosso plano de monetização, que foi o responsável por redefinir nosso modelo de negócio. Percebemos que a porta de entrada para o mercado não estava nas cooperativas, mas sim na força individual dos taxistas”, conta Gomes. A Easy Taxi iniciou sua operação (versão beta) nas ruas cariocas em abril de 2012, e mira todo o mercado brasileiro de táxi, algo em torno de R$ 10 bilhões, segundo Gomes.
Por Elizabeth Cardozo
Ilustração publicada na página da Easy Taxi no Facebook. Acesso em 02/08/2012.


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Joaquim
August 4, 2012
Boa noite Lucas, veja esta portagem e repasse para o Gabriel.
Guilherme Lito
August 16, 2012
Olá Elizabeth, tudo bem? Ótimo post! Posso apenas fazer uma ressalva com relação à primeira frase que você escreveu? Há alguns (poucos) anos, acredito que os bons pólos de startups, principalmente digitais, não estão ligados a universidades. O modelo de aceleradoras, notório lá fora, começa a se mostrar cada vez mais aqui no Brasil. Acredito que iniciativas como 21212, Papaya Ventures, Aceleradora, Polo Marte e tantas outras, por serem mais dinâmicas e “mercadológicas”, tendem a serem mais bem sucedidas. Um modelo pouco “hypado”, mas que também já provou o seu valor é de fundos que desenvolvem suas próprias startups (normalmente copy cats) e torram dinheiro nelas. Vários grandes sites são controlados por esses caras e pouco se fala também. O Startup Farm nada mais é do que um programa de aceleração express que, muitas vezes, visa preparar as empresas para essas aceleradoras e fundos.
De qualquer forma, sem dúvidas as universidades terão que correr muito atrás, pois fora o diploma e networking, o que, de fato, elas ensinam de útil a seus alunos que ingressarão num mercado que passa batido por todas as teorias antigas que são ensinadas?…
Ótimo post!
Obs: acho essa questão de “ensinar empreendedorismo” é muito delicada. Até que ponto é possível ensinar algo que é 90% comportamental? Dentro da sala de aula você vai ensinar o cara a ser raçudo?
Bjs!
Guilherme Lito
http://www.lojadeconsultoria.com.br