Algar Agro, Algar Aviation e a autonomia com responsabilidade

O Brasil, economicamente, nasceu com as commodities –até seu nome se deve a uma commodity, o pau-brasil– e ganhou o mundo com a tecnologia da aviação, seja pela invenção do avião pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, conforme reconhecida pela França, seja pelo avanço tecnológico nessa área, se considerarmos a visão norte-americana. Trata-se de dois tipos de negócios fortes até hoje, muito ligados à marca Brasil no exterior e com desafios tão distintos que são, aparentemente, incompatíveis.

Não deixa de ser curioso, portanto, que um único grupo empresarial brasileiro reúna, sob o mesmo chapéu, essas duas indústrias. É o que acontece com o grupo Algar, sediado em Uberlândia, Minas Gerais. O grupo da família Garcia possui, entre suas empresas, a Algar Agro, que opera em soja, gado e outras frentes de agronegócios, e a Algar Aviation, de serviços de aviação executiva.

O segredo? Parece ser a fórmula de gestão que norteia todos os passos do grupo: gestores profissionais (apesar do controle familiar) que abraçam o princípio da autonomia com responsabilidade, excelência em governança corporativa e muitas oportunidades de treinamento e desenvolvimento às pessoas, incluindo as oferecidas pela universidade corporativa. É por isso que o grupo está conseguindo se preparar para abrir o capital com tranquilidade.

Algar Agro

Fundada em 1978 e a sétima maior esmagadora de soja do País, a Algar Agro atua na compra de grãos e farelo de soja, bem como pecuária de corte e leiteira, com a marca Raça Forte. Ela fatura R$ 1,2 bilhão por ano, o equivalente a 43% da receita total do grupo, e tem 400 funcionários.

Por brigar com empresas grandes, mesmo sendo de médio porte, a Algar Agro concentra seus esforços na agilidade para se sobressair em seu mercado. “Atuamos em um nicho muito tradicional e de pequenos produtores, por isso a rapidez nos serviços e na tomada de decisões fazem toda a diferença no esquema de gestão”, explica Luiz Gonzaga Maciel, presidente da Algar Agro.

Em função disso, e da estrutura espalhada por diversas regiões, a companhia concede o que chama de “autonomia com responsabilidade”.  Mesmo à distância, os resultados são cobrados e medidos e, no final, os líderes acabam recebendo parte do salário fixo e parte em bônus, conforme o indicador de performance. “Costumamos dizer que temos liberdade com responsabilidade, por isso estamos entre as melhores empresas para se trabalhar”, explica o executivo.

E estar entre as melhores empresas para se trabalhar é resultado da política de administrar do capital humano, segundo Maciel. “Além da participação em resultados, também investimos R$ 9 milhões por ano em treinamento em todo o grupo”, explica. Uma das vertentes desse trabalho é a universidade corporativa, que mapeia as necessidades específicas a fim de desenvolver planos de desenvolvimento do pessoal.

“O talento humano é essencial nessa área, por isso, quando um funcionário participa de algum curso importante, seja no Brasil ou no exterior, ele também se torna um multiplicador disso dentro da empresa, repassando esses conhecimentos”, acrescenta. Somado a isso, a Algar Agro ainda mantém pesquisas de clima na organização e avaliação de percepção no mercado. Para reduzir a rotatividade e manter os talentos, ela também possui uma política agressiva de bônus individuais por resultados acima da média.

Por atuar no segmento agrícola, o investimento em marketing da divisão é direcionado para ações relacionadas com as culturas regionais. Maciel faz questão de frisar ainda que seu sistema de atendimento ao consumidor não é terceirizado. “Preferimos treinar as pessoas para esclarecer ao máximo os clientes, porque, se houver problemas mais sérios, eles já podem se conectar a um técnico da área para responder e encontrar uma solução rápida”, diz. Isso, segundo o executivo, é o que dá sustentação às marcas da divisão.

O crescimento da Algar Agro se dá tanto de forma orgânica como por aquisições. Atualmente, a empresa tem projetos de internacionalização por meio de parcerias para agilizar a entrada em mercados como o europeu e asiático.

Enquanto ninguém pensava em discutir sustentabilidade, a companhia já atuava dentro de conceitos de preservação do meio ambiente. Segundo Maciel, bem antes de ser moda, a Algar Agro já estabelecia controle sobre origem dos produtos que adquire. Por isso, não compra soja de produtores que não respeitem o meio ambiente. “Exportamos para Europa, China e outros países e, se não cuidarmos disso, podemos ter complicações”, acrescenta o executivo.

Algar Aviation

Braço do grupo Algar no setor de aviação executiva, a Algar Aviation atua no mercado desde 1976 oferecendo soluções completas, como serviços de transporte aeroportuário, transporte aeromédico, venda, manutenção e fretamento de aeronaves. Em um setor onde qualquer falha pode custar vidas, a qualidade e a credibilidade sempre estiveram no topo dos objetivos da companhia e hoje ela já conta com o reconhecimento de seus serviços de manutenção pelo mercado. Até a Força Aérea Brasileira (FAB) a escolheu para fazer manutenção em suas aeronaves.

“Temos um posicionamento importante em um mercado muito sensível economicamente, em especial agora, com o avanço da economia”, explica o diretor presidente da divisão de serviços aéreos do grupo, Rogério Montalvão Elian. Segundo ele, o segmento é relativamente pequeno e as informações correm muito rápido. Por isso, a organização é bem horizontalizada e voltada para competência. Tudo tem de ser decidido rápido. “Além disso, temos um forte conceito de transmissão de conhecimento entre as hierarquias”, explica.

Nesse sentido, a gestão de pessoas tem papel fundamental no processo. Desde o recrutamento os critérios são altos e o treinamento é muito intenso, não apenas para garantir a parte técnica como também no sentido de liderança, com planos individuais e avaliações pessoais que permitam feedback e evolução das pessoas e dos grupos. “Além dos treinamentos, realizamos constantemente pesquisa de clima, porque trabalhamos muito perto do cliente e é preciso estar bem preparado”, acrescenta.

Com tanto trabalho na administração de talentos, a Algar Aviation sofre com o assédio aos seus profissionais. Para fazer a retenção das grandes “cabeças”, a companhia segue as diretrizes do grupo, como visão de longo prazo. “Mais do que salários, incentivamos nossos funcionários a pensar na carreira e também em outros benefícios para reduzir o turnover”, afirma Elian.

Outro ponto considerado fundamental, segundo o executivo, é o relacionamento com o cliente. Por isso, o atendimento não é terceirizado. “O dono de um avião fica dentro do hangar conosco e, muitas vezes, sabemos até o que ele gosta de comer”, explica. Essa troca é essencial também para o reforço da marca Algar, foco central de todo o trabalho de marketing da companhia.

Para inovar, a companhia busca trocar muita informação com o exterior e não teme a concorrência. “Muitas vezes, somos até parceiros de outras companhias, complementando serviços. Porque a única coisa ruim para todos é avião parado”, afirma.

O crescimento da Algar Aviation vem sendo obtido por meio de aquisições, como a realizada em 2005, com a compra da Alpha, uma empresa de Belo Horizonte especializada em jatos. Mesmo assim, a divisão ainda não é uma das maiores do grupo, contando com cerca de 130 funcionários –os associados, como são chamados internamente.

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